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ECOENDOSCOPIA
16/7/2010 - Dr. Luiz Felipe Pereira de Lima
1. O que é ecoendoscopia?
Ecoendoscopia ou ultrassom endoscópico é o método que associa endoscopia e ultrassonografia no mesmo exame 2. Como funciona? Um transdutor de ultrassom foi acoplado na extremidade do aparelho de endoscopia. Assim, ao realizarmos o exame, o endoscópio é inserido no tubo digestivo do paciente através da boca (no caso da ecoendoscopia alta) e passa pelos segmentos esôfago, estômago e duodeno, ou inserido através do ânus (no caso da ecoendoscopia baixa) e passa pelo canal anal, reto e transição retossigmoide. O objetivo da sonda de endoscopia é levar o probe de ultrassom, acoplado na sua extremidade, até o local do órgão a ser examinado. Por exemplo, se um paciente tem um cisto de cabeça de pâncreas, inserimos a sonda de endoscopia até a 2ª porção duodenal pois sabemos que nessaa topografia se encontra a cabeça do pâncreas. Mas a endoscopia somente avalia o que está no interior do tubo digestivo. Como o pâncreas está fora do tubo digestivo, ao chegarmos na 2ª porção duodenal acionamos o ultrassom, deixando de ter a imagem endoscópica e passando a ter a imagem ecoendoscópica. Assim, veremos tudo o que está além da parede do tubo digestivo (no caso desse exemplo citado, veremos todas as camadas da parede do duodeno, a cabeça do pâncreas, parte da vesícula, parte do fígado e todos os grandes vasos dessa região). 3. Qual é a diferença entre ecoendoscopia e endoscopia? A endoscopia visualiza tudo o que está no interior do esôfago, estômago e duodeno, e somente a camada mucosa da parede. Já a ecoendoscopia, por tratar-se de uma ultrassonografia, visualiza não só a mucosa como as camadas da parede abaixo dela, que não podem ser visualizadas pela endoscopia: a camada submucosa, muscular própria e serosa. E além da parede, permite ao médico examinar o que está fora da parede, como órgãos (pâncreas, mediastino, baço, rins, suprarenais) e vasos. 4. Existe preparo para se realizar a ecoendoscopia? Sim. Se for ecoendoscopia alta, ou seja, para avaliar esôfago, estômago ou duodeno, será necessário jejum de 8 horas. Se for ecoendoscopia baixa, ou seja, para avaliar canal anal, reto e transição retossigmóide, além do jejum será necessário tomar laxante para preparo intestinal. Cada serviço, hospital e/ou endoscopista tem o seu preparo preferido. Mas no geral, todos são semelhantes. 5. O paciente é sedado? O paciente pode ser sedado, como na endoscopia, ou anestesiado, como em uma cirurgia. Vai depender do que será feito, do tempo necessário para se fazer, das condições clínicas do paciente e de patologias que esse paciente possui. Com todas essas variações possíveis, o exame pode durar entre 20 minutos até mesmo cerca de 1hora, em média. Por isso é que se define entre sedação e anestesia no momento do exame, conversando sempre com o paciente. 6. Meu médico solicitou uma ecoendoscopia com punção. O que é a punção? A punção é como uma biópsia. É a retirada de fragmentos da lesão examinada que serão enviados para análise do patologista. Como é feita com uma agulha ultra-fina, denomina-se punção. Essa agulha é passada pelo interior da sonda de ecoendoscopia até a lesão a ser puncionada. Se a lesão estiver na parede, a punção ultrapassa a camada mucosa e adentra nas outras camadas mais profundas (submucosa, muscular ou serosa). Caso a punção seja de uma lesão fora da parede (no pâncreas por exemplo), a agulha ultra-fina atravessará a parede do tubo digestvo, adentrando no interior da lesão e consequentemente, do órgão. Após o exame, esse diminuto pertuito na parede do tubo digestivo, causado pela agulha, irá se fechar. Mas para isso, o paciente permanecerá um tempo em jejum mesmo após o exame. 7. Quais são os riscos de se realizar uma ecoendoscopia? Os riscos são os mesmos de se realizar uma endoscopia ou colonoscopia. O sangramento pós-punção pode ocorrer, mas sua incidência é tão baixa como na endoscopia, ocorrendo em menos de 1% dos casos. A perfuração pela passagem do aparelho também tem incidência baixa, menos de 0,5% dos casos. Ela pode ocorrer pois o probe de ultrassom, acoplado na extremidade do endoscópio, é rígido, duro, e nos casos de atrofia de parede (nos pacientes idosos), de lesões da parede do tubo digestivo (como úlceras ou retrações cicatriciais), esse risco pode estar ligeiramente aumentado. Mas ainda assim, a incidência é semelhante a de uma endoscopia comum. Já a dor pós-exame pode ocorrer pois a agulha irá adentrar na lesão e/ou órgão examinado. No caso do pâncreas, pode ocorrer uma pancreatite pós-punção, levando ao quadro de dor abdominal. Isso pode levar até 48horas para ter início.
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